outro texto antigo. bem esquisitão, mas tem seu charme, eu acho. um texto qualquer, e eu quase uma leitora qualquer.
Linda
Fresca, exausta, a calcinha branca minúscula, sutiã preto e piercing no umbigo, sorrindo com todos os seus cílios pintados, braços pernas peitos ombros, a língua grande se arrastando pela boca e quase queixo, dentes expostos.
O mar que não dormiu e não seca sob o sol que distorce tudo é só uma moldura para o feixe elástico, vivo e vibrante de carne que ela é.
A areia grossa que cobre tudo é ela, ela é a grama que pinica e o copo com resto de vinho, o meu torpor é todo ela, músculos rijos exatos para o corte, o sangue grudento escorrendo lindo eu só adivinho e babo.
Cadela que salta e dança, a unha do dedão no pé sujo me arranha o cerebelo mas quero assim gritante e seca a distância entre minha fraqueza e seus caldos salgados.
Pelo céu voam prédios escuros, ônibus lotados, mendigos fedorentos, calçadas escarradas cheias de chicletes grudados, o bandido e a boca que recebe parva o cano do revolver; a puta que é menina e que é mulher disfarçada de gaivota voa junto e carrega meu olho atônito.
A luz é excessiva e perfurante e varre para longe as memórias que se misturam à poeira e às folhas que não foram arrancadas mas caíram secas, formando uma massa esquisita que é o vômito que ela despeja enquanto ao lado crianças riem e fazem castelos de areia.
Manhã de domingo suave e quente, espero que a música que botei no toca-fitas soe tépida sobre a pele que roça a aspereza da rede, nos poros abertos do rosto que vejo no espelho leio que ela já não percebe nada e é somente um pouco de vida entre as paredes brancas.
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Um comentário:
Puxa, que texto lindo, Carol! Vou ter de ler várias vezes para tentar entender. Mas quem disse que é para entender, não é? Fica esse mostruário de palavras lindas,ricas e asperamente macias.Brinde do seu imaginário para as nossas mentes confusas. Lindo, lindo. Parabéns.
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