Largo da Batata, seis e meia da tarde. Pedestre tem que andar igual carro: não pode parar de repente, nem virar sem sinalizar, senão é trombada na certa. Vou comprar uma lanterna pra usar de pisca-alerta.
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Bermudão, chinelo rider, camiseta mamãe-quero-ser-gay, o tipo na calçada passava fio dental. Passava, dava uma sacudida e passava outra vez. Claro que usava mullets. Mullet de cabelo crespo, sabe como?
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No ônibus, me ofereço pra segurar as coisas dela. Sento perto do corredor, e ela descobre uma conhecida sentada à minha frente, perto da janela. Debruça-se sobre mim para conversar. Tesudíssima, com um baita decote, e o busão balançando, aquela peitaria indo e vindo, quase me batendo no nariz, dava vento, o biquinho endurecia, ai, senhor, dai-me forças, ou melhor, me tire a força, que sufôco, quase e dez vezes quase que cravo os dentes. Ai, terror.
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Um comentário:
cenas urbanas. o macho quase gay de tão macho e a dama do lotação rodrigueano, cujo papel é esse mesmo: despertar tesão nos indefesos passageiros da vida.
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