O texto abaixo vem do Dito Assim. Na mosca, Jayme.
Condenando a vítima
Se há alguma coisa democraticamente espalhada neste Brasil, é a enorme capacidade de seus dirigentes de, sob aperto, apelar para a mais escancarada demagogia.
É o caso do governador da Bahia Jaques Wagner. Ontem, Wagner declarou alto e bom som, com cara de bravo e tudo, que vai mandar demolir o estádio da Fonte Nova, onde dias atrás uma tragédia matou sete pessoas e feriu mais de 80. O desabamento de um pedaço da arquibancada fez com que várias pessoas caíssem de uma altura de cerca de 20 metros.
Há anos é sabido que o estádio anda em situação deplorável de manutenção, o que fez do acidente a crônica de uma morte anunciada. É inexplicável apenas como algo assim grave não tivesse acontecido antes. Sem embargo da gravidade do fato, responder a ele com a demolição é uma vergonhosa mistura de demagogia, oportunismo e falta total de compromisso com a história de Salvador e da Bahia.
A Fonte Nova é um dos marcos da arquitetura moderna em Salvador. O projeto, executado em 1951, é do arquiteto Diógenes Rebouças, que teria até, segundo se conta, tido umas dicas de Oscar Niemeyer e Rino Levi. O próprio Rebouças fez o projeto de ampliação, em 1971.
Na hora em que Jaques Wagner propõe que a resposta ao desastre é a demolição do patrimônio histórico representado pelo estádio, assume uma posição contra todos os baianos -- mesmo que pesquisas de opinião o acabem apoiando, pelo impacto emocional da tragédia recente. Qualquer governante equilibrado procuraria, ao mesmo tempo, resgatar a Fonte Nova a partir da intervenção de arquitetos sérios -- há dúzias deles em Salvador -- e buscar os responsáveis pelo abandono, inclusive assumindo publicamente sua parte na culpa -- pequena e justificável, mas existente.
Há a esperança sempre de que a reação da sociedade civil impeça esse crime. Caso não consiga, Wagner passará à história como uma espécie de Taliban-do-eu-sozinho. Caso consiga, o governador deverá agradecer essa segunda chance à sua reputação.
3 comentários:
Político é assim: não dispensam nem um "bom" velório. Tudo o que fazem tem sempre o desejo de se autopromover. E é aí que desfiam toda a demagogia que podem...
Abraços.
A minha esperança é que o Jaques Wagner, essa besta que governa a Bahia, não esqueça de tirar os torcedores antes de demolir o estádio. As pessoas são sempre um detalhe muito pequeno.
Beijo
Meninos, é isso mesmo. Nada é mais importante a essa corja do que a manutenção do poder. Nojento.
beijos para os dois.
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