Jeans velho e justinho, camiseta regata, chinelinho de dedo e uma flor no cabelo, ela esperava o metrô. Espera e se cansa, espreguiça. Ai, vadia! Puta safada! Queria mastigar-lhe xingamentos duros, eu já toda tensa, tudo formigava ao vê-la, eu queimava. Ela, distraída, exibia as axilas. Assim, como quem não quer nada. Peludas! Lá fora o sol do meio-dia, a estação quase vazia, ela escancarava pêlos negros, muitos, encaracolados raivosos, quiçá suados!
Vontade de bater-lhe na cara ou de vê-la gargalhar, qualquer coisa intensa que a fizesse abrir a boca escandalosamente carnuda de mulher negra; queria os dentes brancos juntos daquela flor e dos pêlos que me sussuravam urros, aquele apinhamento de sevícias cultivadas, monstro boi-da-cara-preta a me hipnotizar, mata de horrores inimagináveis, caverna escura de morcegos e muitos medos a exalar perfumes descompassados e eu quase dançava como os ratos do flautista, e tive raiva e amor relâmpago e a deixei partir com o trem para receber o alívio como chuva de verão.
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4 comentários:
que delícia de texto..
imagens assim..penso muito na luz dessa cena.
linda.
que bom te visitar antes de dormir!
vou feliz.
Nossa!!!! Palavras tão bem colocadas, faz tudo ficar mais lindo ainda.Quanto tesão e agonia...E alívio.
Parabéns, linda!
Moça, tuas palavras me fizeram sentir.
Imaginei as curvas, os lábios e o olhar.
E que prazer é ter na mente a imagem de algo tão belo assim.
E eu, que nem sou de desejar assim on line... desejei.
Um beijo grande.
Tatiana, beto, menina; que legal que vocês gostaram, eu curti muito escrever isso. Beijos e brigada pelo carinho.
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