Não conheço lugar mais respeitoso e respeitável que o Estadão. Não conheço. Nas instituições que deviam fazer-lhe frente neste quesito somos sempre achincalhados, sempre há o ar de trapaça, roubo ou descaso a intimidar-nos. Lanchonete que é, nem os mais finos restaurantes têm sua aura de civilidade atendida; o Estadão não é local para festas, gargalhadas ou bebedeiras descomedidas e não assalta o bolso de ninguém.
Pode trocar o arroz por farofa, o feijão por batata, a vinagrete por legumes? O balcão lotado, os cozinheiros agitados, o balconista sorri, pode sim. Mau humor não tem lugar entre eles. A qualquer hora do dia ou da noite é extasiante a variedade de comensais. Intelectuais e prostitutas, taxistas e cafetões, gays e machões, tatuadas e engravatados. Harmoniosamente dispostos lado a lado, gratos pela comida honesta de preço baratinho, comem sossegados e seguros; o Estadão é lugar de respeito.
Muitos vão pelo sanduiche de pernil, eu dispenso e ataco nhoque com carne assada, filé de frango com legumes, o suco do dia, ai que bom quando é de uva verde. O frango está mal passado? Opa, frita de novo. Sempre gentis, sempre corretos, o banheiro é limpo e ninguém te olha demais.
E foi neste guardião sagrado do que ainda há de certo e justo neste País que meus queridos acharam de cantar parabéns às três e meia da madrugada. Vergonha, né? Mas orgulho também. Há que ser muito forte o motivo que leva alguém a perturbar a paz alheia em lugar tão sério. Tão forte quanto uma bebedeira, quanto a alegria por estarmos juntos, quanto a rara felicidade de ser paulista e poder contar com o Estadão.
"No cerne duro da cidade / me sinto protegido." (Manuel Bandeira, O Martelo)
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7 comentários:
gde lugar!
adoro aquilo lá, guga.
Falou e disse. Me lembro de enfrentar uma deliciosa feijuca às 4:00hs depois de uma balada. É o melhor para as comidinhas da madrugada.E não assalto o seu bolso.
Viva o Estadão!
é isso, Betão, o Estadão acolhe todo mundo, a qualquer hora, com qualquer fome. Algo assim como uma mãe. É isso. o estadão é uma mãe pra mim.
Imagino o "estadão" geral do organismo do sr. Beto no dia seguinte a essa balada que terminou com uma feijoada às 4 da matina... Certamente antecedida por incontáveis bebidinhas...
Esta noite do seu aniversário foi a mais bacana das saídas em turma dos últimos anos. Dancei no primeiro bar, mandei um pernil do Estadão e ainda voltei a pé para casa. Nem ressaca aconteceu. E nem gastei muito.
Alê, foi um dos meus melhores aniversários dos últimos anos. E nem ressaca aconteceu.
Ah! eu perdi! Que besta eu!
O Alê, ainda estou rindo com o seu comentário sobre o sovaco, hehehe.
Que organismo? Acho que nem tenho mais isso. No dia seguinte só fiquei na preguiça e no sal de fruta.
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