27.8.07

amores possíveis

"O amor nos tempos do Messenger. E o novo problema já está ficando velho, grego, decifra-me ou te deleto: como transformar uma tara platônica em uma trepada homérica?", disse o Xico Sá.

Outro dia no carapuceiro mesmo eu comentei sobre as meninas que se derrubam sobre ele em comentários deliciosos. O mundo virtual, bem como o das artes, oferece um espaço muito adequado ao florescimento dos amores platônicos, conforme a acepção original do termo, como"um amor centrado na beleza do caráter e na inteligência de uma pessoa, em vez de em seus atributos físicos". Ainda, a distância entre o amante e o amado, inerente a este meio, dá o campo perfeito para o desenvolvimento das fantasias, sem que o peso da realidade venha tolher-lhes os limites.

Assim como na literatura, aqui também ocorre a paixão que é primeiramente dedicada aos textos, e só entre eles e o leitor o embate. Como folhetim, o blog envolve o leitor, propondo-lhe saltos e pausas, mas aqui a facilidade de diálogo com o autor, e portanto de aproximação, é maior.

Eu diria ao Xico que essa transformação que ele investiga desvirtua a essência mesma desse amor-tara-paixão longínquo, o flerte com o intangível, sendo uma passagem que quase nunca é possível, uma agulha achada num palheiro quando é feliz.

Eu já prego meus botões.
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Disse o mino: "O blog é uma pradaria bem penteada e sem limites."

5 comentários:

Anônimo disse...

Sobre o assunto amores à distâcia, morri de rir vendo o clip dos Seminovos, Romeu e Julieta (segue abaixo o link do youtube).

http://www.youtube.com/watch?v=2VIDvfR5xyI

Os caras traçam um perfil divertidíssimo das dificuldades, inclusive metendo o malhona política dos tranportes nacional.

Beijos.

(indo agora ler os links)

B

jayme disse...

É uma platonice curiosa, de fisiologias supostas, de toques imaginados, nem sempre a ver com os atributos intelectuais ou da alma, como na descrição clássica, mas com a pele, músculos, líqüidos e arfares imaginados. Daí, não é Platão, mas Eros no espelho.

carolina disse...

Poxa, B., eu tinha respondido, já, mas por algum motivo não apareceu. É engraçado mesmo o vídeo; além de tudo que a minha vã filosofia pode imaginar, ainda há a penúria dos nossos transportes a dificultar a vida dos amantes...
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jayme, adorei teu comentário. Eros no espelho. Vou pensar bastante nisso.

Anônimo disse...

Ooops ... primeiro de tudo deixa eu dizer que adorei seu espaço. É sexy, inteligente e gostoso.
Isto posto, deixa eu perguntar: o Xico Sá deu o devido crédito à brincadeira: "Para curar uma paixão platônica, só uma trepada homérica" era poeminha do Eduardo Kac, estampado em camisetas no fim da década de 80.
E haja platonice nos amores virtuais, hein, moça? Já me peguei aguando por caras que eu não comeria por nada desse mundo se encontrasse pessoalmente ... rsrs
beijos!
C.

carolina disse...

ah, então é do Eduardo Kac, esse versinho? Bem que me disseram que era piada velha. Quanto aos amores platônicos e virtuais, acho que é assunto que dá pano pra muita manga... Beijo, Carmen, brigada pela visita.