"O amor nos tempos do Messenger. E o novo problema já está ficando velho, grego, decifra-me ou te deleto: como transformar uma tara platônica em uma trepada homérica?", disse o Xico Sá.
Outro dia no carapuceiro mesmo eu comentei sobre as meninas que se derrubam sobre ele em comentários deliciosos. O mundo virtual, bem como o das artes, oferece um espaço muito adequado ao florescimento dos amores platônicos, conforme a acepção original do termo, como"um amor centrado na beleza do caráter e na inteligência de uma pessoa, em vez de em seus atributos físicos". Ainda, a distância entre o amante e o amado, inerente a este meio, dá o campo perfeito para o desenvolvimento das fantasias, sem que o peso da realidade venha tolher-lhes os limites.
Assim como na literatura, aqui também ocorre a paixão que é primeiramente dedicada aos textos, e só entre eles e o leitor o embate. Como folhetim, o blog envolve o leitor, propondo-lhe saltos e pausas, mas aqui a facilidade de diálogo com o autor, e portanto de aproximação, é maior.
Eu diria ao Xico que essa transformação que ele investiga desvirtua a essência mesma desse amor-tara-paixão longínquo, o flerte com o intangível, sendo uma passagem que quase nunca é possível, uma agulha achada num palheiro quando é feliz.
Eu já prego meus botões.
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Disse o mino: "O blog é uma pradaria bem penteada e sem limites."
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5 comentários:
Sobre o assunto amores à distâcia, morri de rir vendo o clip dos Seminovos, Romeu e Julieta (segue abaixo o link do youtube).
http://www.youtube.com/watch?v=2VIDvfR5xyI
Os caras traçam um perfil divertidíssimo das dificuldades, inclusive metendo o malhona política dos tranportes nacional.
Beijos.
(indo agora ler os links)
B
É uma platonice curiosa, de fisiologias supostas, de toques imaginados, nem sempre a ver com os atributos intelectuais ou da alma, como na descrição clássica, mas com a pele, músculos, líqüidos e arfares imaginados. Daí, não é Platão, mas Eros no espelho.
Poxa, B., eu tinha respondido, já, mas por algum motivo não apareceu. É engraçado mesmo o vídeo; além de tudo que a minha vã filosofia pode imaginar, ainda há a penúria dos nossos transportes a dificultar a vida dos amantes...
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jayme, adorei teu comentário. Eros no espelho. Vou pensar bastante nisso.
Ooops ... primeiro de tudo deixa eu dizer que adorei seu espaço. É sexy, inteligente e gostoso.
Isto posto, deixa eu perguntar: o Xico Sá deu o devido crédito à brincadeira: "Para curar uma paixão platônica, só uma trepada homérica" era poeminha do Eduardo Kac, estampado em camisetas no fim da década de 80.
E haja platonice nos amores virtuais, hein, moça? Já me peguei aguando por caras que eu não comeria por nada desse mundo se encontrasse pessoalmente ... rsrs
beijos!
C.
ah, então é do Eduardo Kac, esse versinho? Bem que me disseram que era piada velha. Quanto aos amores platônicos e virtuais, acho que é assunto que dá pano pra muita manga... Beijo, Carmen, brigada pela visita.
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