_ Quero - eu te disse. Você respondeu:
_ Cuidado.
E lancetou assim a inflamação que eu apenas pressentia; fiquei olhando enquanto os líquidos vazavam, o denso e o translúcido mesclados, o infecto claro e um outro tanto de mim, partes que apodreceram e do que era bom misturadas; pedágio ou sacrifício, o inchaço passou e me senti mais limpa depois. E te disse:
_ Amor.
Você respondeu:
_ Terra.
A ventania encheu meus olhos de areia, engoli dunas gigantes e alguns oásis de mentira; não sabia ser terra fértil, ou a aridez raspante ou pântano caldo da vida, feras e joaninhas. Quando a noite aplainou a superfície eu pensei ver outro horizonte e te disse:
_ Sim.
Você calou, e teu silêncio era resposta bastante para ti.
Quis morder o tempo, cravando os dentes para que ele gritasse um pouco, quem sabe estourasse e se esvaísse também, em vão; selvagem, o tempo concede mas não se dobra. Esqueci da bússola antiga, do astrolábio, tateei perdida pra depois andar descalça; calcei botas, voltei a bater nas portas do passado sorvendo o eco ressoante até digerir tudo, lambi o que restou nos lábios. Desdobrei o guardanapo com ar grave e levei à boca; não havia resíduos, enxuguei o suor e me senti mais fresca.
Não tornei à tua porta, esqueci o caminho.
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4 comentários:
Guria, amei o seu texto. Você escreve muito bem!!!!
Copiei e guardei pra mim, ta?
Um beijo
Many
A proposito, eu não comento muito, mas tenho o seu blog inscrito no meu google feeder!
Leio tudo!!!
Mas, hoje não resisti..
Beijos e boas inspirações,
Many
ô, Many. que fofa, você. brigada!
muitos beijos pra você.
bonito isso.
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