28.11.07

desconexos

tela de Tulio Tavares



O homem ainda é o lobo do homem, não importa o quanto as ciências avancem. Luiz Mendes, ex-presidiário e colunista da revista Trip, disse em entrevista ao Antonio Abujamra, na TV Cultura, que gostaria de viver no futuro, quando não houver mais abuso do homem pelo homem.
Essa frase calou fundo em mim, e fez ponte imediata com outras questões.

A antropofagia praticada pelos aborígenes tinha a função de adquirir riqueza, mas riqueza subjetiva, na medida em que comer um grande guerreiro significava adquirir suas qualidades. As artes continuam praticando essa mesma antropofagia, nutrindo-se umas das outras. O homem moderno continua antropofágico; a expropriação do bem-estar alheio ainda é respaldada pela crença no crescimento que aquilo nos trará.

Seguimos nos devorando mutuamente. Mas agora a própria sociedade nos devora. Impressionante notar a quanta violência nos submetemos para conviver em sociedade, quanto suportamos de todo tipo de poluição e abusos. Quanta violência praticamos quando pensamos nos defender?

Viver em paz seria uma questão de se habituar à violência? Para alguns a paz está em combater, e há todo tipo de combate sendo travado. Poesia e ataques terroristas. Arte e auto-defesa.

Criança se educa com palmada? Educar é modelar? Muitas questões numa tarde tranquila.

4 comentários:

natércia pontes disse...

oi, carol. parece mesmo que os fins são todos iguais. gostei muito dos seus textos. um beijo,

Bizarr! disse...

De fato, talvez no futuro. Ainda assim, estou certo que a paz não é desse mundo.

Beijos.

[M.D.]

Anônimo disse...

Deus ou o diabo nos deu 24 horas para viver, das quais precisamos subtrair 8 para dormir. Nos sobram 16 horas para viver, e o que fazemos? Nos trancamos em escritórios por, pelo menos, 8 dessas horas, mais uma hora de almoço no refeitório da firma, mais duas horas entre ida e volta do trabalho. Fora a hora que gastamos nos arrumando, cedo, para o batente. Das 24, nos sobram 4 horas para viver a vida. Ou lavar a louça, a roupa, pagar as contas na Internet, discutir a relação, estudar, cuidar do filho, fazer ginástica, e, enganando as circunstâncias, acender um cigarro antes de dormir e recomeçar. Tanta repressão e violência autoimposta. Aí, na formatura, ouvimos a voz em off do narrador falando que "se eu vivesse de novo, correria mais riscos, saltaria de pára-quedas, veria o pôr-do-sol"...

Não é à toa que não somos as flores de bondade que as propagandas de margarina pintam.

liquidificador disse...

valeu, natércia, gosto muito dos teus também. beijos.
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Mad, o paraíso decerto não é aqui. Beijo.
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Alê, sempre penso nisso. Foda é que mesmo o gesto de libertação é violento. Foda.