Sentei numa das esquinas do balcão, no fundo do salão, pedi um suco. Tinha meia hora naquela padaria. Uma senhora magra e muito morena sentou a dois bancos de mim. Acenou para o balconista e iniciou uma conversa comigo sobre as pombas serem guiadas por anjos. Isso porque eu tinha acabado de reclamar das pombas. Pomba dentro da padaria? Pô. Só falta estar de roupão.
Daí vem o balconista com um copaço de café, deixa na frente dela, sai e volta com uma baita fatia de queijo quente. Sem uma palavra.
Lembrei dos velhos amigos do Caju. Os velhinhos mesmo, com sua pinga de todo dia, sempre o mesmo não-pedido, o mesmo horário. Tínhamos o nosso ballet.
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