24.4.07

é, eu sou burguesinha

Detesto entrar todo dia na mesma santa padaria e pedir sempre a mesma coisa, o cigarrinho fedido de cada dia. Sempre convicta de que vou parar, não me animo a comprar logo mil pacotes e estocar. Tento então variar, o lugar, não o pedido. Hoje foi num boteco medonho, escuro, cheio de caça níqueis, às 8h da matina. Lá no fundo, um cidadão dava mostras de intimidade com o local, clamando aos quatro ventos sua opinião sobre um assunto qualquer. Trajava roupão e chinelos. Roupão. No boteco. Fiquei tão sem graça, olhei pro outro lado, me sentia como se tivesse aberto a porta do banheiro e deparado com um desconhecido de pau na mão. Roupão? Caraca. Mais vestido do que os muitos de bermuda sem camisa pelas ruas, mas roupão é roupão, não é o que ele mostra, mas o que suscita e pressupõe-se. Umas quadras adiante, ao longe uma senhora com muitos enfeites coloridos na cabeça parecia bem modernosa. De perto, os enfeites se revelaram, para meu espanto, uma bela coleção de bobs multicores, que ela portava desinibida enquanto varria a calçada e conversava com vizinhos. É, Perdizes não é Moema.

Um comentário:

Mestre Medieval disse...

texto gostoso que faz sorrir rs
MM